A Gratidão Como Prática de Presença e Cura
Às vezes, a gratidão chega como um pequeno descanso no meio do caos — quase imperceptível, mas real.
No consultório, observo com frequência como esse gesto simples pode transformar a forma como as pessoas se relacionam consigo mesmas, com os outros e com o próprio viver.
Mais do que um sentimento, a gratidão é um convite à presença.
O que é a gratidão, afinal?
Gratidão é a capacidade de reconhecer o que existe de valioso — mesmo quando a vida está difícil. Não significa negar a dor ou romantizar desafios. Ela nos ajuda a integrar o que é doloroso dentro de uma perspectiva mais ampla, para que a experiência humana deixe de ser apenas sobre o que falta e passe a incluir também o que existe.
Às vezes, pode ser tão simples quanto notar o calor de uma xícara entre as mãos, a luz atravessando a janela, um gesto de gentileza, um momento de pausa.
Por que a gratidão tem efeito terapêutico?
Nosso cérebro foi moldado para priorizar riscos e ameaças — um mecanismo de sobrevivência herdado dos ancestrais. Por isso, espontaneamente focamos no que deu errado, no que falta, no que precisa ser consertado.
A prática da gratidão funciona como um contrapeso emocional, ajudando a:
1. Reduzir a ansiedade e o estresse
Ao direcionar atenção para elementos significativos do dia, criamos pequenos intervalos no ciclo de preocupação. Isso favorece regulação emocional e reduz a hiperativação do sistema de alerta.
2. Aumentar o senso de conexão
Reconhecer quem nos apoia — e expressar isso, mesmo que silenciosamente — reforça vínculos afetivos e dá a sensação de que não caminhamos sozinhos.
3. Reforçar a autoestima
A gratidão direcionada a si mesmo fortalece a autocompaixão. Reconhecer limites respeitados, pequenos avanços, escolhas saudáveis e momentos de coragem ajuda a construir um senso interno de valor.
4. Cultivar presença e consciência
Notar detalhes bons do dia desacelera o corpo, acalma a mente e abre espaço para estar aqui, agora — sem a pressa de resolver tudo.
Gratidão não é romantizar a dor
É importante lembrar: gratidão não é imposição e não deve ser usada para silenciar sofrimentos reais.
Existem dias em que agradecer parece impossível — e isso também merece respeito. Em processos terapêuticos, a prática da gratidão nasce com mais autenticidade quando surge de dentro, no momento certo, sem pressa.
Como cultivar a gratidão de forma simples e sustentável
Aqui estão algumas práticas gentis, que podem ser adaptadas ao ritmo de cada pessoa:
1. Diário de gratidão (sem obrigação diária)
Escreva quando sentir vontade. Pode ser algo minúsculo: um abraço, uma sensação de alívio, um aprendizado inesperado.
2. Reconhecer o que já superou
Pergunte a si mesmo: “Qual parte minha cresceu com essa experiência?”
Muitas vezes, a transformação é sutil, mas está lá.
3. Agradecer silenciosamente
Durante uma caminhada, ao sentir a água do banho, ao observar o céu. A gratidão pode ser íntima e quieta.
4. Gratidão pelo próprio corpo
Notar a respiração, os músculos que sustentam, o coração que trabalha sem pedir nada em troca. É uma forma de reconexão com o que nos mantém vivos.
5. Ato de gratidão ativo
Um gesto, uma mensagem, um olhar mais atento. Pequenas expressões fortalecem relações.
Conclusão
A gratidão é uma prática suave, mas profunda.
Ela não apaga a dor — ilumina caminhos que coexistem com ela.
É um lembrete diário de que a vida é mais ampla do que os desafios que enfrentamos e de que ainda existem espaços de presença, cuidado e beleza, mesmo nos dias mais densos.
Se quiser aprofundar esse olhar sobre bem-estar e autoconsciência, um livro que pode ser um bom companheiro nessa jornada é “Estar Bem: A Chave para Seus Objetivos”.
Ele oferece reflexões e ferramentas que ajudam a cultivar uma relação mais gentil consigo mesmo — algo que combina profundamente com a prática da gratidão.
E talvez valha a pena se perguntar:
O que hoje, mesmo pequeno, merece ser notado?
Vamos Juntas Nessa Jornada!
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Quem Está por Trás das Palavras
Sou Dayana Regina — formada em Engenharia Química, atuei durante anos como líder em uma grande multinacional. Mas, em 2018, algo dentro de mim começou a pedir mudança. E eu escutei.
Desde então, mergulhei profundamente no universo do autoconhecimento e do desenvolvimento pessoal. Unir a objetividade da ciência, a força da fé e a prática diária da mudança se tornou meu propósito — primeiro para transformar a minha vida, e agora para ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo.
O que compartilho aqui não vem de uma posição de especialista inalcançável. Vem de quem já sentiu na pele o peso da desconexão, a sobrecarga, a culpa, e decidiu trilhar outro caminho. Cada insight, cada ferramenta, cada reflexão que divido com você foi, antes de tudo, experimentado por mim.
Meu desejo é que essas palavras sirvam como pontes. Que cheguem até você com verdade, acolhimento e praticidade — porque eu acredito, do fundo do coração, que mudanças reais acontecem de dentro para fora. E que estar bem não é um luxo, é a base.


