Às vezes, não falta nada. Falta perceber.

Reclamamos tanto do que ainda não temos que, muitas vezes, esquecemos de desfrutar aquilo que já faz parte da nossa vida.

Hoje eu sentei no sol.

Sem nenhum motivo especial.

O verão está chegando ao fim, o outono começa a aparecer e talvez tenha sido justamente isso que me fez querer ficar ali um pouco mais.

Eu gosto do sol.
Gosto de observar a paisagem.
Gosto desses momentos em que posso ficar sozinha, pensar, respirar e simplesmente não precisar fazer nada.

E enquanto estava ali, percebi uma coisa um pouco incômoda:

eu gosto muito de tudo isso, mas aproveito muito menos do que poderia.

Moro em um lugar que acho lindo.

Existem parques, paisagens, dias ensolarados, lugares onde posso caminhar, sentar, observar e passar algum tempo comigo mesma.

Está tudo relativamente perto.

Não preciso esperar as próximas férias.
Não preciso comprar uma passagem.
Não preciso organizar uma grande ocasião.

Mesmo assim, muitas vezes passo por tudo isso sem realmente aproveitar.

Talvez porque sejamos muito bons em perceber o que falta.

O que ainda queremos conquistar.
O lugar para onde gostaríamos de viajar.
A casa que gostaríamos de ter.
O dinheiro que ainda queremos ganhar.
Aquilo que gostaríamos que fosse diferente.

Estamos quase sempre olhando para a próxima coisa.

E desejar mais não é necessariamente um problema.

Eu também tenho sonhos, planos e muitas coisas que ainda quero viver.

O problema começa quando ficamos tão concentrados no que ainda não chegou que transformamos o que já temos em algo comum demais para merecer nossa atenção.

Até que alguma coisa muda.

O verão termina.

A estação passa.

As pessoas mudam.

As circunstâncias mudam.

E aquilo que estava disponível todos os dias deixa de estar.

Foi pensando nisso que hoje decidi não passar apenas pelo sol.

Decidi sentar nele.

Olhar ao redor.

Perceber onde eu estava.

Talvez desfrutar a vida tenha menos a ver com fazer coisas extraordinárias e mais com parar de adiar as coisas simples que já sabemos que nos fazem bem.

Tomar um café sem pressa.

Caminhar por um lugar bonito.

Sentar no sol.

Conversar com alguém que amamos.

Ficar alguns minutos em silêncio.

Olhar de verdade para aquilo que tantas vezes enxergamos apenas como parte do cenário.

Porque existe uma diferença entre ter alguma coisa na nossa vida e realmente vivê-la.

Hoje eu não quero deixar de desejar o que ainda quero construir.

Quero apenas aprender a não precisar perder uma estação para perceber que poderia tê-la aproveitado mais.

Talvez uma parte importante da gratidão seja justamente essa:

não apenas reconhecer o que temos,

mas usar, viver e desfrutar enquanto ainda podemos.

E hoje, por alguns minutos, foi exatamente isso que eu fiz.

Sentei no sol.

E fiquei. ☀️

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