Quando a novidade acaba, começa a constância

O que acontece quando a motivação passa e continuar deixa de ser empolgação para se tornar escolha.

Começar costuma ser mais fácil do que continuar.

No início, existe entusiasmo. Existe uma energia diferente. A sensação de estar fazendo algo novo torna tudo mais interessante.

Quando comecei o desafio de caminhar 5 km todos os dias durante um ano, era verão.

Os dias eram longos, havia mais sol e, de certa forma, sair para caminhar parecia mais simples.

Agora o verão está acabando.

Os dias já começam a mudar, o clima também, e percebo que alguma coisa dentro de mim precisa mudar junto.

Porque a novidade passou.

E talvez seja exatamente aqui que o verdadeiro desafio começa.

No começo, eu pensava que esse projeto seria sobre caminhar 5 km por dia.

Hoje percebo que ele tem me ensinado muito mais sobre permanecer.

Sobre continuar quando o dia não ajuda.

Quando estou cansada.

Quando chove.

Quando não existe nenhuma grande motivação.

Quando ninguém está esperando nada de mim.

É fácil sustentar uma escolha enquanto ela ainda nos empolga.

Difícil é continuar quando ela se transforma em rotina.

Talvez seja por isso que tantas coisas que dizemos querer ficam pelo caminho.

Não necessariamente porque eram impossíveis, mas porque não permanecemos tempo suficiente para descobrir até onde poderíamos chegar.

Tenho pensado muito nisso.

Quantas vezes já comecei algo cheia de vontade e, quando aquela primeira energia desapareceu, interpretei isso como um sinal de que talvez não fosse mais para mim?

Hoje começo a entender de outra forma.

A ausência de empolgação não significa necessariamente que chegou a hora de desistir.

Às vezes significa apenas que chegou a hora da constância.

Existe uma transformação silenciosa acontecendo quando fazemos aquilo que escolhemos mesmo nos dias comuns.

Talvez ninguém perceba.

Talvez não exista um grande resultado para mostrar naquele momento.

Mas, pouco a pouco, alguma coisa muda.

Não apenas no corpo, nos resultados ou nas circunstâncias.

Muda na forma como começamos a nos enxergar.

Cada vez que continuo, reforço para mim mesma que posso confiar um pouco mais naquilo que decidi.

E talvez essa seja uma das maiores mudanças que esse desafio esteja produzindo em mim.

No começo, eu queria completar 365 dias.

Agora percebo que, todos os dias, estou construindo algo muito mais importante do que uma sequência de números.

Estou aprendendo a permanecer.

Porque começar pode mudar nossa direção.

Mas é continuar que, aos poucos, muda quem estamos nos tornando.

Um passo por vez.

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