O resultado demora. O processo acontece todos os dias.

Sobre continuar mesmo quando voce ainda não pode ser vista.

Talvez uma das partes mais difíceis de mudar alguma coisa na nossa vida seja continuar quando ainda não conseguimos enxergar o resultado.

Tenho pensado muito nisso enquanto vivo meu próprio processo.

Nos últimos meses, escolhi olhar mais para mim, cuidar do meu corpo, criar novos hábitos e aprender a me priorizar com mais constância.

No começo, existe a empolgação da decisão.

Você começa.

Muda a rotina.

Faz diferente.

Acredita que, porque começou a mudar, logo vai conseguir enxergar essa mudança.

Mas nem sempre acontece assim.

Existe um espaço entre a decisão e o resultado que exige muito mais de nós do que imaginamos.

A espera.

É quando você está fazendo a sua parte, mas aparentemente nada mudou.

O corpo ainda não é aquele que você imaginou.

O projeto ainda não cresceu.

O reconhecimento não chegou.

A vida ainda se parece bastante com a vida de antes.

E é justamente aí que aparecem as dúvidas.

Será que está funcionando?

Será que estou fazendo o suficiente?

Será que vale a pena continuar?

Tenho aprendido que a ausência de resultado nem sempre significa ausência de progresso.

Às vezes, significa apenas que ainda é cedo.

O resultado aparece. O processo quase sempre é silencioso.

Quando olhamos para a conquista de alguém, normalmente vemos a parte visível.

A corrida concluída.

O corpo transformado.

A mudança de país.

O projeto que cresceu.

O sonho realizado.

Mas quase nunca vemos todos os dias que vieram antes.

Os dias comuns.

Os dias sem motivação.

As pequenas escolhas.

As tentativas que não deram certo.

Os ajustes de rota.

Os momentos em que aquela pessoa também se perguntou se estava avançando.

Talvez por isso seja tão fácil admirar o resultado dos outros e tão difícil reconhecer o nosso próprio processo.

Eu mesma tenho aprendido isso através da corrida.

Hoje consigo percorrer distâncias que, meses atrás, pareciam muito maiores.

Mas não foi no dia em que corri mais quilômetros que essa evolução aconteceu.

Ela aconteceu nos 5 km.

Nos treinos comuns.

Nos dias de cansaço.

Nos dias em que não houve recorde algum.

O resultado apareceu em um dia.

A capacidade de chegar até ele foi construída muito antes.

Existe uma fase em que você já não é quem era, mas ainda não chegou onde deseja.

Talvez essa seja a parte mais desconfortável.

Você já mudou algumas escolhas.

Já abriu mão de algumas coisas.

Já reorganizou prioridades.

Mas ainda não existe uma grande conquista para provar que tudo isso valeu a pena.

E continuar sem essa confirmação exige confiança.

Não a confiança de que tudo obrigatoriamente vai acontecer exatamente como você imaginou.

Mas a confiança de que você pode continuar observando, aprendendo e ajustando o caminho.

Porque constância não significa repetir cegamente a mesma coisa.

Às vezes, continuar também significa mudar a estratégia sem abandonar aquilo que ainda faz sentido para você.

Talvez você esteja medindo apenas o resultado errado.

Quando aquilo que desejamos demora, talvez exista outra pergunta que possamos fazer:

O que já mudou em mim desde que comecei?

Talvez você ainda não tenha chegado onde queria.

Mas hoje consegue fazer algo que antes não conseguia.

Tem mais disciplina.

Mais coragem.

Mais clareza.

Aprendeu a dizer não.

Aprendeu a se priorizar.

Aprendeu que nem todos os dias precisam trazer uma grande conquista para ainda assim fazerem parte da construção.

Nem todo progresso aparece primeiro do lado de fora.

Às vezes, antes de mudar a nossa vida, o processo muda quem somos.

E talvez essa seja uma das maiores transformações que estou vivendo agora.

Tenho objetivos.

Quero evoluir.

Quero alcançar resultados.

Mas estou aprendendo a não depender deles todos os dias para acreditar que estou no caminho.

Alguns dias trazem conquistas.

Outros trazem apenas a oportunidade de continuar.

E hoje entendo que os dois são importantes.

Porque o resultado pode demorar.

Mas o processo está acontecendo agora.

Uma escolha de cada vez.

Um dia de cada vez.

Um passo por vez.

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